terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Dia bom




A gente acorda escova os dentes, sai de casa, enfrenta ônibus cheio, metro cheio, luta contra o sono, fere a natureza do corpo que pede por mais cama, chega no trabalho tem que olhar pra todas as caras feias das pessoas, a gente sorri, dá bom dia, se faz de simpática e entra na rotina do dia. Não posso reclamar do meu trabalho e do local onde estou, a vida não foi das piores comigo. As vezes ela me sorri. Tenho meus estresses e as vezes penso em mudar de profissão, mas a verdade é que eu gosto das crianças. Entro na minha salinha, meu mundinho, e as horas que passo ali, mesmo nos dias mais cansativos, mesmo nos dias de mais problemas, e de cabeça cheia, ali tudo some. Talvez eu até esteja usando meu trabalho como uma forma de escape. Mas no fim acho que todos o usamos assim, a cabeça ocupada lá faz a gente parar de pensar na dureza da vida aqui fora. Quando tô lá dentro da sala cantando uma música boba, brigando com quem tenha mordido o outro, ensinando a dividir, emprestar, a fazer cocô no vaso, a não machucar o amigo, por um breve momento até parece que tudo tem sentido. Dizem que tudo o que realmente vale a pena na vida se aprende lá, na educação infantil.
Hoje estou em um dia otimista. Vou escrever um texto no dia em que me vierem à cabeça todas as coisas negativas relativas ao trabalho com educação infantil . Pode ter certeza que nesse dias o texto será bem maior. Ainda bem que os dias 'positivos' também existem.

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