A gente acorda escova os dentes, sai
de casa, enfrenta ônibus cheio, metro cheio, luta contra o sono, fere a
natureza do corpo que pede por mais cama, chega no trabalho tem que olhar pra
todas as caras feias das pessoas, a gente sorri, dá bom dia, se faz de
simpática e entra na rotina do dia. Não posso reclamar do meu trabalho e do
local onde estou, a vida não foi das piores comigo. As vezes ela me sorri.
Tenho meus estresses e as vezes penso em mudar de profissão, mas a verdade é
que eu gosto das crianças. Entro na minha salinha, meu mundinho, e as
horas que passo ali, mesmo nos dias mais cansativos, mesmo nos dias de
mais problemas, e de cabeça cheia, ali tudo some. Talvez eu até
esteja usando meu trabalho como uma forma de escape. Mas no fim acho que todos
o usamos assim, a cabeça ocupada lá faz a gente parar de pensar na dureza
da vida aqui fora. Quando tô lá dentro da sala cantando uma música boba,
brigando com quem tenha mordido o outro, ensinando a dividir, emprestar, a
fazer cocô no vaso, a não machucar o amigo, por um breve momento até parece que
tudo tem sentido. Dizem que tudo o que realmente vale a pena na vida se aprende
lá, na educação infantil.
Hoje estou em um dia otimista. Vou escrever um texto no dia em que me vierem à cabeça todas as coisas negativas relativas ao trabalho com educação infantil . Pode ter certeza que nesse dias o texto será bem maior. Ainda bem que os dias 'positivos' também existem.
Hoje estou em um dia otimista. Vou escrever um texto no dia em que me vierem à cabeça todas as coisas negativas relativas ao trabalho com educação infantil . Pode ter certeza que nesse dias o texto será bem maior. Ainda bem que os dias 'positivos' também existem.

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